31 de mai de 2019

Com 20 casos confirmados de Chagas, Pernambuco registra maior surto agudo da doença no estado


A Secretaria de Saúde de Pernambuco está investigando o maior surto agudo de doença de Chagas registrado no estado. Até esta sexta-feira (31), 20 pessoas tiveram resultado laboratorial positivo para a doença. Dessas, oito estão internadas no Hospital Oswaldo Cruz, no Centro do Recife, com quadro estável. Outras 12 fazem tratamento em casa.

De acordo com a SES, as pessoas contaminadas participaram de um retiro religioso em Ibimirim, no Sertão do estado, durante a Semana Santa, mas não há evidências para definição da forma de transmissão da doença. A primeira notificação foi feita no dia 20 de maio. Ao todo, 77 pessoas participaram do retiro.

O chefe do Serviço de Infectologia HUOC, Demetrius Montenegro, explica que os médicos não perceberam inicialmente que eram casos de Chagas. "Chegaram pessoas com quadro de febre, dor no corpo, mancha no corpo, edema, inchaço nas pernas, nas articulações, dores articulares, que são sintomas muito semelhantes com o que a gente vive hoje em dia de arbovirose", detalha.
"É muito raro você ter um surto de doença de Chagas agudo assim, nessa magnitude", diz Montenegro.
Além dos 20 casos confirmados, cinco já passaram por exames e outras 52 pessoas que participaram do evento devem passar por exames, uma vez que a doença de Chagas pode ficar sem sintomas durante anos.

Por estar em fase aguda, o médico Wilson Oliveira, da Casa de Chagas, diz que a perspectiva de cura dos pacientes contaminados no retiro existe, ao contrário dos pacientes que estão na fase crônica.
"Ainda assim, quem foi contaminado deve ser acompanhado até o fim da vida. O tratamento com remédios dura apenas 60 dias. Eles não podem mais doar sangue nem órgãos. Felizmente, nenhum paciente apresentou comprometimento neurológico", afirma.
Investigação

A investigação de como os pacientes foram contaminados pelo barbeiro é de responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde do estado. George Dimech, gerente de doenças transmissíveis da SES-PE, explica que uma equipe foi encaminhada a Ibimirim, onde aconteceu o retiro.
"O evento aconteceu em uma escola estadual toda construída em cerâmica e alvenaria. As salas onde ocorriam as atividades tinham ar condicionado. Por enquanto não há nada na estrutura que chame atenção. Temos que ver a origem dos alimentos ingeridos nas refeições", afirma.
Nesses casos, o gerente explica que o animal não resiste a altas temperaturas, como comidas cozidas. A probabilidade é que a contaminação, via oral, tenha acontecido da ingestão de frutas e sucos, mas ainda não se sabe se os alimentos foram levados da Região Metropolitana do Recife para Ibirim ou compradas na cidade.

Diagnóstico

Há cerca de duas semanas, um homem e uma mulher não identificados, residentes na Região Metropolitana do Recife, foram internados no Hospital Oswaldo Cruz. O casal havia passado o feriado da Semana Santa em um retiro espiritual realizado por várias igrejas evangélicas.
“Eles apresentavam um quadro clínico sugestivo de arbovirose endêmica. Os sintomas eram febre, dor no corpo, edema nos membros inferiores, na fase e na articulação. Poderiam ser confundidos facilmente com dengue e chikunguya, mas a febre constante, cerca de 20 dias, causou estranhamento”, explica o Montenegro.
No relato dos pacientes estava o gosto estranho de uma água que havia sido ingerida nos primeiros dias de retiro. Simultaneamente, um terceiro paciente vindo do mesmo encontro foi internado no Hospital Jayme da Fonte, também no Recife, com os mesmos sintomas, mas sem associação com a água consumida.
“Esse terceiro estava com os olhos amarelados e a equipe decidiu fazer um teste rápido de malária. O resultado deu positivo. Quando fomos para o teste específico, o parasita da malária não aparecia na lâmina, mas o parasita do barbeiro sim”, diz o infectologista.
Secretaria de Saúde e equipe do Hospital Universitário Oswaldo Cruz detalham diagnóstico de doença de Chagas em Pernambuco — Foto: Everaldo Silva/TV Globo
Com a confirmação da doença de Chagas em três pacientes, os outros 17 que chegavam aos poucos ao Hospital Oswaldo Cruz com os mesmo sintomas e vindos do mesmo lugar, tiveram que refazer exames de sangue e passar por novos testes. A média de idade deste grupo é 25 anos.
“Ao todo, 20 pacientes foram diagnosticados com Chagas pelo exame de laboratório. Cinco ainda não foram confirmados e outras 52 pessoas que estiveram no retiro e não apresentaram sintomas, também serão acompanhados. Afinal, a doença pode ser assintomática”, detalha o infectologista.
A Secretaria faz também uma busca ativa de casos suspeitos. Na investigação, se enquadram pessoas do Cabo de Santo Agostinho, Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Arcoverde que participaram do evento religioso em Ibimirim e que apresentem febre contínua, intermitente e prolongada por cerca de uma semana.

O sintoma pode ou não vir acompanhado de edema de face ou de membros, manchas vermelhas na pele, inflamação no baço, náusea, icterícia, perda ou diminuição de força física, dor nas articulações ou edema inflamatório nas pálpebras e na pele.

A enfermidade é causada pelo protozoário Tripanossoma cruzi e transmitida pelo barbeiro. Também é possível contrair a doença por meio de alimentos contaminados pelo protozoário.

Da redação PE mais
Com informações do G1 Pernambuco.

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