22 de nov de 2013

Vistoria aponta falta de médicos e superlotação em hospitais de PE

Com superlotação, leitos de paciente são improvisados no corredor do Procape (Foto: Divulgação/Cremepe)
Escala de médicos incompleta, instalações precárias e superlotação. Esses são os principais problemas encontrados em unidades de saúde do Recife e em três hospitais estaduais de grande porte, também situados na capital, de acordo com uma fiscalização realizada pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos (Simepe). O resultado da vistoria foi apresentado nesta quinta-feira (21), na sede do Cremepe, Zona Norte da cidade. As entidades visitaram os hospitais da Restauração, Agamenon Magalhães, Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), Policlínica Amaury Coutinho e Unidade Mista Barros Lima."O que constatamos foi que a saúde de Pernambuco é banalizada pela gestão pública, seja em esfera municipal ou estadual. 

Não existem soluções milagrosas para esses problemas, precisamos de planos de médio e longo prazos", disse o presidente do Cremepe, Sílvio Rodrigues.As visitas ocorreram na segunda-feira (18), dia que tradicionalmente tem grande movimento, logo após o fim de semana. A principal denúncia do Cremepe é em relação ao reduzido número de médicos. No Agamenon Magalhães, no bairro do Parnamirim, por exemplo, a escala de profissionais estava incompleta. "O grande problema da saúde pública de Pernambuco é a falta de financiamento. Apesar dos concursos públicos realizados, há um grande déficit de médicos. Já que não tem dinheiro para pagar médico, também não tem para melhorar o atendimento ou até limpar o banheiro", afirmou Rodrigues.

Representante do Cremepe, o médico Sylvio Vasconcelos acompanhou a vistoria e afirmou ter encontrado acompanhantes de pacientes do HR deitados no chão ou ao lado dos leitos. "O Procape também tinha superlotação. A unidade tem capacidade para 33 pessoas na emergência, mas no dia da visita tinham 89 pessoas no local. Já na Barros Lima, grávidas não têm privacidade para atendimento. Não há sala privativa e elas são atendidas em meio ao fluxo, em um espaço sem biombos", relatou.

Ainda conforme o médico, a Policlínica Amaury Coutinho tem sujeira acumulada. "Os banheiros não tinham luz nem lugar para lavar as mãos, o que pode gerar inúmeras infecções", acrescentou Vasconcelos.

Já o presidente do Simepe, Mário Jorge Lôbo, focou suas críticas para a situação do Hospital das Clínicas, vinculado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Apesar de não ter sido fiscalizado nessa primeira blitz, várias denúncias já foram investigadas. “O HC foi construído em cima de um córrego e as bombas de sucção usadas para assegurar a estrutura do prédio estão quebradas. Queremos uma audiência com o Ministério Público de Pernambuco, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, Corpo de Bombeiros e o reitor da UFPE, Anísio Brasileiro, para discutirmos o estado da unidade de saúde”, cobrou.

Os representantes do Cremepe e do Simepe também revelaram que uma comissão foi para Genebra (Suíça), na primeira semana de novembro, para formalizar uma denúncia pública à Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação aos médicos cubanos, que estão trabalhando em situação “que caracteriza o trabalho escravo, em ambientes precários e sem direito de sair,” disse Lôbo.

Soro de paciente é amarrado ao fio do ar-condicionado na Policlínica Amaury Coutinho (Foto: Divulgação/Cremepe)

Outro lado

Procurada pelo G1, a Secretaria Estadual de Saúde informou que, mesmo com uma demanda alta, todos os pacientes são atendidos no Hospital Agamenon Magalhães. A assessoria de imprensa do Procape, vinculado à Universidade de Pernambuco (UPE) e que integra o Sistema Único de Saúde (SUS), também reconheceu a superlotação. "No estado, apenas o Procape e o Hospital Agamemon Magalhães possuem emergência cardiológica, o que acaba sobrecarregando a unidade."

A assessoria informou ainda que o aumento do número de leitos do Procape fica a cargo da Secretaria Estadual de Saúde. Em relação à escala incompleta de profissionais, a unidade diz que houve uma seleção pública simplificada, já homologada, para contratar médicos para o Hospital Oswaldo Cruz e Procape, sendo sete destinados ao segundo. No entanto, não há uma data para eles começarem a trabalhar.

As demais unidades de saúde notificadas na vistoria também foram procuradas pela reportagem, mas ainda não se pronunciaram sobre as denúncias.

Confira na íntegra a resposta da SES sobre o Agamenon Magalhães:

"A unidade reconhece a grande demanda, explicada pela ausência de serviços municipais de saúde que possam absorver pacientes de baixa complexidade. Apesar da sobrecarga, o hospital atende a todos, e os casos mais graves têm prioridade. É importante lembrar que o HAM foi o primeiro hospital, entre as redes pública e privada, a adotar o sistema de classificação de risco, no qual o paciente é visto, logo na sua entrada, por uma equipe multidisciplinar. Atualmente, o hospital está com uma escala composta de cardiologistas na emergência, mantendo, em média, quatro médicos por plantão. Em apenas um plantão, há dois médicos, devido a licenças médicas. Porém, o hospital aguarda três profissionais aprovados em concurso assumirem seus postos, o que ocorre no início de dezembro. A unidade também desconhece falta de água nos banheiros da emergência, mas vai apurar se houve um problema pontual em algum dos banheiros."

Sem espaço adequado, acompanhantes de pacientes são obrigados a dormir no chão do Hospital da Restauração (Foto: Divulgação/Cremepe)
Do G1

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