9 de set de 2015

Mais de 40% das barragens de Pernambuco estão em colapso

Onze dos 34 reservatórios do Agreste estão nessa situação. No Sertão são 24 dos 39 equipamentos

Poço Fundo, em Santa Cruz do Capibaribe | Conexão Capibaribe/Cortesia
Mais de 40% dos reservatórios de água em Pernambuco estão em situação de colapso. Os dados são do relatório divulgado ontem pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), que realiza o monitoramento diário em 87 equipamentos. A situação é encontrada em 11 das 34 barragens localizadas no Agreste, atingindo 22 municípios. Já no Sertão, a realidade é ainda mais grave, e alcança 24 dos 39 pontos de distribuição existentes em 25 cidades. Os níveis são os mais baixos nos últimos três anos para as duas regiões. De acordo com os meteorologistas, a previsão é de tempo ainda mais seco até dezembro.
“Apesar da vulnerabilidade histórica da falta d’água nessas regiões, temos acompanhado uma queda que chama a atenção. Os reservatórios que ainda não secaram, estão trabalhando com marcações bem abaixo da média”, comentou o analista de Recursos Hídricos da Apac, César Mendonça.
Conforme o levantamento, o volume acumulado de água para abastecimento do Sertão baixou de 211 milhões de metros cúbicos, em 2014, para 136 milhões m³ em 2015. Enquanto no Agreste, esse mesmo comparativo decaiu de 163 milhões para 137 milhões m³.
“A população já amarga o quarto ano consecutivo de seca, ainda sem expectativas de melhoria”.
O Sertão ainda exibe a situação mais preocupante. Conforme a Apac, 18 reservatórios já secaram totalmente - no Agreste são seis nessa situação. Em Ingazeira, o volume baixou de 16% para irrisórios 0,2% do total, em um intervalo de apenas dois anos. O município de Parnamirim, com pouco mais de 20 mil habitantes, figura entre as situações mais preocupantes. Por lá, dois dos três equipamentos já exibem o fundo vazio.

Já em Petrolina, a 715 km do Recife, considerado um dos mais importantes polos de desenvolvimento, as histórias se repetem. Plantações vêm se perdendo, enquanto animais morrem nos pastos. Sem alternativa, a solução tem se voltado para os serviços de carro-pipa, comercializados entre R$ 70 e R$ 100.

A barragem Engenheiro Francisco Sabóia, em Ibimirim, também já atingiu o volume morto. Com capacidade para receber 504 milhões de m³, o reservatório está com 4,9% do total, o equivalente a 24 milhões de m³.
“Ainda há água, mas a estrutura hidráulica não consegue captar. Temos que recorrer a outros meios, como a extração manual”, afirma o gerente de Monitoramento e Fiscalização da Apac, Clênio Torres.
Questionada pela Folha, a Compesa não informou, até o fechamento desta edição, sobre a adoção de mudanças no calendário de distribuição das cidades, assim como pontos críticos para um novo esquema de racionamento.

Jucazinho
Vítima da falta de chuvas, a barragem de Jucazinho, em Surubim, também pede socorro. Operando com apenas 3% da sua capacidade, que supera 327 milhões de m³, o reservatório passa por obras emergenciais desde o final de julho. O trabalho permitiu a inversão do fluxo de água na Estação de Tratamento de Água (ETA) do bairro de Petrópolis para a ETA Salgado. Na prática, Caruaru passará a ser coberto pela barragem do Prata, em Bonito, hoje com 81,3%. Jucazinho abastece os municípios de Riacho das Almas, Cumaru, Bezerros, Gravatá, Passira, Surubim, Casinhas, Vertente do Lério, Santa Maria do Cambucá, Frei Miguelinho, Vertentes, Toritama e Salgadinho. O desempenho é considerado o pior em 11 anos, desde que o sistema passou a ser usado para abastecimento humano.

Causa
Para o meteorologista Vinícius Gomes, o cenário é fruto das já conhecidas oscilações na temperatura dos oceanos.
“Ainda estamos no meio de uma transição do fenômeno El Niño, com o aquecimento das águas do Pacífico, interferindo no Atlântico. O tempo fica ainda mais seco e a chuva segue dentro da faixa normal para o período, somando 90 milímetros para o próximo trimestre”, explicou.
Ele destaca que a umidade relativa do ar pode ficar em apenas 10%, em alguns pontos, implicando diretamente na qualidade de vida da população.
“As doenças respiratórias chegam com toda força, associadas a tosse, irritação nos olhos e, ainda ressecamento na pele”, alerta.
Com informações de Marcílio Albuquerque, da Folha de Pernambuco

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