6 de jul de 2015

Caruaru corre o risco de ficar sem água de Jucazinho

Perto de começar a usar o chamado “volume morto” do reservatório, a Compesa afirmou esta semana que está prestes a suspender a retirada de água da barragem para a Capital do Forró. Medida será necessária para garantir continuidade do fornecimento para outras cidades.

A Barragem de Jucazinho, localizada em Surubim, pode deixar de abastecer Caruaru. Com apenas 4,3% da capacidade de armazenamento (14 milhões de metros cúbicos), segundo dados da Compesa atualizados até a quarta-feira (1º), o reservatório está prestes a começar a utilizar o chamado “volume morto” (assim que atingir os 3% da capacidade), o que inviabilizaria a continuidade do fornecimento para a Capital do Agreste, passando a liberar água apenas para municípios que dependem exclusivamente dele (Surubim, Frei Miguelinho, Passira, Cumaru, Toritama, Vertente do Lério, Vertentes, Santa Maria do Cambucá, Casinhas, Riacho das Almas, Santa Cruz do Capibaribe, entre outros).

De acordo com a Gerência Regional da Compesa, a medida será necessária porque o volume de água utilizado por Caruaru é muito grande. Considerando que, mesmo com as chuvas das últimas semanas, o nível da água continua baixando, é necessário racionar a distribuição do líquido para que estes outros municípios não entrem em colapso.


“Chegando a 3% da capacidade, nós não conseguiremos mais captar água com a estrutura existente atualmente. Será necessário fazer readequações, o que inviabiliza a manutenção do abastecimento de Caruaru. Estaremos direcionando a água para os municípios que não têm outras opções”, observa Nyadja Menezes, gerente regional de Negócios do Agreste Central da Compesa, lembrando que a Capital do Agreste poderá contar com a água da Barragem do Prata, atualmente com 59% da capacidade.

“Assim, nós conseguiremos garantir abastecimento para estas outras cidades ao menos até dezembro deste ano. É uma estratégia formulada pela Compesa para enfrentar o momento delicado que estamos lidando”, complementa Nyadja Menezes.

Com as alterações, a Compesa projeta um investimento de R$ 1 milhão para a readequação do sistema de distribuição de água existente em Caruaru. Entenda: a água de Jucazinho é distribuída na cidade a partir da Estação de Tratamento de Água no bairro do Salgado, enquanto que a água do Prata é distribuída a partir da ETA do Petrópolis (distintas e complementares). Os gestores da companhia apontam que será necessário fazer obras emergenciais que liguem essas duas redes, possibilitando o líquido chegar do Petrópolis ao Salgado e, assim, ser levado para toda a cidade.

“Paralelamente, também estamos atentos a iniciativas que nos ajudem a reduzir a perda de água no processo de distribuição. Por exemplo: a maioria dos caruaruenses deve lembrar daquele cálice que existe no Petrópolis (popularmente chamado de ‘caixa d’água’). Nós perdemos a quantidade de três daqueles cálices, por dia, somente com a lavagem dos filtros utilizados pela companhia, algo que é necessário para garantir a qualidade da água que levamos para a torneira da população. Vamos investir no reúso de 1,8 milhão de litros, com um trabalho que respeita todos os padrões estabelecidos pelos órgãos reguladores”, detalha.

A equipe de reportagem do Jornal Vanguarda percorreu 180 km e voltou a visitar Jucazinho, na zona rural de Surubim, na tarde da quarta-feira (1º). E, apenas visualmente, é possível perceber a gravidade do cenário. Trechos que nunca haviam sido visualizados, desde a construção da barragem, já estão aparentes.

Agora, já é possível enxergar, inclusive, peças que compõem a estrutura das comportas do reservatório (equipamentos que permaneciam submersos há décadas).

De uma das laterais, onde estão situados imóveis residenciais, é possível ter ainda mais noção da dimensão do problema: a água alcança níveis baixíssimos da imensidão do paredão.

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